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  <title>× × G i r l s , B e A m b i t i o u s × ×</title>
  <subtitle>× f i n d  y o u r s e l f ×</subtitle>
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    <name>carolien</name>
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  <updated>2008-06-08T14:44:34Z</updated>
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    <title>Ah.</title>
    <published>2008-04-15T17:52:32Z</published>
    <updated>2008-04-15T22:00:45Z</updated>
    <lj:music>Luna Sea - Rosier</lj:music>
    <content type="html">Então as pessoas querem umas as outras&lt;br /&gt;Apenas para se abatecer&lt;br /&gt;E tomar delas um sorriso&lt;br /&gt;Ou roubar um beijo&lt;br /&gt;E viver um egoísmo&lt;br /&gt;Disfarçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem assumir que é realmente egoísta&lt;br /&gt;Mas usar o outro e sumir da sua vista&lt;br /&gt;Sem deixar pista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou o menor vestígio de um sentimento&lt;br /&gt;Imagino se o mesmo aconteceu comigo&lt;br /&gt;Se fui eu que te roubei um pedaço de tempo&lt;br /&gt;Ou você quis torná-lo mais ameno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber, talvez, você me usou&lt;br /&gt;Sem ter a mínima consciencia, eu te usei&lt;br /&gt;Quero continuar a usar&lt;br /&gt;Mas aquele mesmo egoísmo não nós permite&lt;br /&gt;Não vou deixar de querer ser só de mim&lt;br /&gt;E me dividir apenas contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou compartilhar de forma que nos usemos mutuamente,&lt;br /&gt;Evidente.&lt;br /&gt;Não existe ninguém diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas isto, usar ao outro para se abastecer&lt;br /&gt;De felicidade, de harmonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então é daí que vem a necessidade,&lt;br /&gt;Quem sabe também seja isto,&lt;br /&gt;O amor.&lt;br /&gt;Roubar algo do outro&lt;br /&gt;E se dispor a ser assaltado&lt;br /&gt;Ou maltratado&lt;br /&gt;Puro egoísmo&lt;br /&gt;Inquestionado.&lt;/i&gt;</content>
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    <title>Senti saudades</title>
    <published>2008-03-22T02:40:56Z</published>
    <updated>2008-03-22T02:40:56Z</updated>
    <lj:music>Mana - Como quisiera</lj:music>
    <content type="html">ॐ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as lágrimas fluiram dos olhos, sem que pudesse controlá-las.&lt;br /&gt;E a dor no peito era tanta que se arrancassem o coração, seria feliz.&lt;br /&gt;E o mundo todo corria, de forma desordenada.&lt;br /&gt;E relutante, tive de acompanhar seu ritmo.&lt;br /&gt;E me faltou ar.&lt;br /&gt;E me fugiu a luz.&lt;br /&gt;E nada mais fez sentido, enquanto não tive de volta o que não me pertencia.&lt;br /&gt;E foi como desejar o vento: sempre senti-lo e jamais tocá-lo.&lt;br /&gt;E sempre me doía por ser tão passional.&lt;br /&gt;E quando me lembrava, como me doía por ser tão sentimental.&lt;br /&gt;E quanto mais fugia, mais me fechava, ah...&lt;br /&gt;Aí que me condenava.&lt;br /&gt;Aí que me censurava, me reprimia.&lt;br /&gt;Aí que me desafiava e promovia a discória entre mim e eu.&lt;br /&gt;Aí que a guerra se declarava.&lt;br /&gt;Aí que um lado de mim chorava.&lt;br /&gt;E o outro batalhava.&lt;br /&gt;E a vida se complicava...&lt;br /&gt;E nada mais faz sentido, enquanto não tenho de volta o que não me pertence.&lt;br /&gt;E não havia força, não havia perceverança.&lt;br /&gt;E não havia sonho, não havia esperança.&lt;br /&gt;E não havia sanidade, nem vontade.&lt;br /&gt;E não havia coragem, nem vantagem.&lt;br /&gt;E quanto mais fugia, mais sofria.&lt;br /&gt;E quanto mais persistia, mais perdia.&lt;br /&gt;E apanhava.&lt;br /&gt;E se machucava.&lt;br /&gt;E me nocalteava.&lt;br /&gt;E me fazia de escrava.&lt;br /&gt;E tanto que chorava...&lt;br /&gt;Aí não possuia mais pudor.&lt;br /&gt;E se entregava, indiferente.&lt;br /&gt;E me via entre tanta gente!&lt;br /&gt;E me condenava.&lt;br /&gt;E se entregava com ardor.&lt;br /&gt;E me sangrava..&lt;br /&gt;E se abria como uma flor.&lt;br /&gt;E me ardia.&lt;br /&gt;Aí não tinha fim a agonia.&lt;br /&gt;Ali esperava pelo outro dia.&lt;br /&gt;E eu sofria.&lt;br /&gt;E chorava, e batalhava.&lt;br /&gt;E me perguntava a razão.&lt;br /&gt;Aí seguia, sem rumo.&lt;br /&gt;Aí questionava se havia um outro mundo.&lt;br /&gt;Aí negava a existencia da felicidade.&lt;br /&gt;E pedia ajuda, gritava.&lt;br /&gt;E me via entre uma multidão.&lt;br /&gt;E ninguém me estendia a mão: "Pobre coitada".&lt;br /&gt;Aí que veio o silêncio, durante um milênio.&lt;br /&gt;Aí que me fecharam os olhos para não crer mais.&lt;br /&gt;E me vendaram a boca para sequer degustar demais.&lt;br /&gt;Aí que a agonia se fez diária.&lt;br /&gt;E mil anos, mil natáis, mil equinócios, mil vezes o mundo girou.&lt;br /&gt;E o meu era só dor.&lt;br /&gt;E não podia desfalecer, renascer...</content>
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    <title>Certo. Vou ser sincera:</title>
    <published>2007-11-13T00:05:50Z</published>
    <updated>2007-11-13T00:05:50Z</updated>
    <lj:music>Versailles - The Love From a Dead Orchestra</lj:music>
    <content type="html">eu tenho sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000xtzh/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000xtzh/s320x240" width="320" height="214" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, tenho consciência de quando isso começou. &lt;br /&gt;Sim, tenho a mínima esperança babaca de que eles vão de realizar. &lt;br /&gt;Sim, tenho medo de decepcionar quem acredita no "meu potêncial".&lt;br /&gt;Não, não tenho auto-estima suficiente para acreditar em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio eu que a vida seria muito mais simples se não houvessem essas benditas utopias. Seria, também, tão simples se não fosse necessário suprir essa vontade que, no meu caso é, desconfortável de realmente querer realizar algo apenas para a auto-satisfação. Não creio que eu seja capaz. Não quero me iludir com a idéia de que eu posso (OU NÃO) conseguir o que eu "quero". Não quero desulidir, também, quem me incentiva e crê em mim. Infelizmente, ainda desejo que mais alguém acredite nisso... Porém, sabe-se lá quando, sonhos viram um monte de areia, como os castelos que as crianças controem na praia. Cansei de acreditar nisso... em acreditar e lutar por algo sem fundamentos, sem bases... por mais que eu me esforce de verdade para conquistar um lugar ao sol no futuro, é só uma farsa. Uma farsa que me enche de vontade de fazer uma ou outra coisa. No fundo, eu sei de tudo que posso e que não posso. Eu não acredito no que podem me dizer. Eu tenho consciência, também, de que as coisas podem não ser como eu penso. Eu sei tudo que x ou y podem me dizer. Eu sei, eu sei. Mas a vida é minha, e eu a encaro da forma que EU acho correto. :)&lt;br /&gt;Iludir-me, desiludir-me, decepcionar-me... isso não é o pior. O ruim é saber que minhas atitudes (ou a falta dessas) podem ocasionar no choque de uma outra pessoa... e doeria saber que eu não tive capacidade de alcançar (e muito menos exceder) essas expectativas como, infelizmente, é a minha vontade.&lt;br /&gt;Enfins, odeio ser redundante, mas é (im)preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Am I really ambitious (like you, daddy...)?</content>
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    <title>o que eu sei...</title>
    <published>2007-11-05T23:12:43Z</published>
    <updated>2008-06-08T14:40:35Z</updated>
    <lj:music>Nightmare - livEVIL</lj:music>
    <content type="html">é que as pessoas, por todas as partes, já estão mais do que desgastadas de tanto amar.&lt;br /&gt;será que não é doloroso se iludir sucessivas vezes seguidas ou&lt;br /&gt;suprir e reprimir um pseudo-sentimento que deveria ser tão intenso quanto o brilho do sol em mercúrio&lt;br /&gt;mas se transforma em uma luz fosca e opaca que faz possível a fotossíntese de um aqui e outro lá...&lt;br /&gt;mas se o amor não é o astro de luz própria, posso fazer uma alusão simples, dizendo que ele é articifial como uma lanterna com bateria fraca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se eu amei? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;digo que sim e que não... algumas vezes jurei em falso, mas nunca me comprometi por completo, é fato&lt;br /&gt;hoje, tudo que me for tirado me fará falta, não acabará com minha existencia, apenas fará como que os sacrifícios sejam mais árduos...&lt;br /&gt;sei que haverão lembranças em todas as hipóteses e vivo delas, até hoje... historio tudo ao meu redor: o que não é agora, é passado, é uma memória que pode ser esquecida, pois seres humanos não têm capacidade de registrar todos os acontecimentos em suas vidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que quero dizer é pura e simplesmente que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amor é apenas adicional, só amo o que me faz falta - embora não saiba definir bem o que realmente me causa dor por sua ausencia - amo com facilidade - para ter ainda mais o que chorar noite a dentro, ter ainda mais o que lembrar e lamentar por ter perdido ou nunca conquistado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amo e não amo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;odeio o amor e amo amar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois é de paradoxos simples que a vida caminha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo que sem um significado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no final das contas: foda-se o mundo</content>
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    <title>miyaishiteru @ 2007-10-28T00:55:00</title>
    <published>2007-10-28T04:06:28Z</published>
    <updated>2007-10-28T04:06:28Z</updated>
    <lj:music>Versailles - Forbidden Gate</lj:music>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000w76z/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000w76z/s320x240" width="174" height="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;coisas certas&lt;br /&gt;sempre estão&lt;br /&gt;erradas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;coisas erradas&lt;br /&gt;sempre estão&lt;br /&gt;marcadas</content>
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    <title>miyaishiteru @ 2007-10-20T21:08:00</title>
    <published>2007-10-21T00:30:21Z</published>
    <updated>2008-06-08T14:44:34Z</updated>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000tx96/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000tx96/s320x240" width="137" height="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     É mais fácil carregar as malas do que as cicatrizes que tenho em meu coração desde meus 12 anos. Enquanto arrasto meus pertences por um caminho que não sei que rumo tem, invejo os pássaros por terem tal liberdade e descompromisso que não precisam sustentar seu peso com os próprios pés. Passo a passo, continuo sangrando. Mas não é um sangue viscoso e vermelho, aquele que corre nas veias, é uma esperança que se evapora. É uma perspectivade vida que some, conforme me distancio da plenitude irresponsável que tive até hoje e me aproximo da estrada que, quem sabe, me leve a brilhar, encontrar um sentido para a dor que exala hoje, que exalou ontem... mas é essa estrada que vai me fazer refletir e sofrer ainda mais...&lt;br /&gt;     Vou confessar, não é tudo que deixei para trás que me fará falta. Hei de sentir a ausência das presenças, sempre tão constantes! Tão confortantes! E talvez eu carregue além das malas, também um pouco de tudo que vi e vivi - e como vivi. As cores, os sons, as imagens... estão todas guardadas e eu sei - e como eu sei - que todas as memórias captadas por meus sentidos são mais do que "flashes", vozes, aquarelas... Há mais do que se enxerga nas coisas que vemos. Há algo além daquilo que pegamos, que ouvimos. E todas essas coisas podem tornar-se parte de nós. Podem se incumbir à nossa personalidade. Há em mim não só o aroma do café de ontem à tarde, mas também as notas musicais noturnas, os risos, as canções... Há tanto em mim que talvez haja também todo um universo infinito. Há tudo. Assim, posso dizer que aprendi, não só o vôo suave dos pássaros, mas também a maravilha que se torna abandonar o chão, como é doce flutuar no ar estático e deixar-se levar pela brisa... Tão saboroso é viver... Tão doloroso é esquecer... Mas acima de tudo, tão sublime é observar e, com isso, aprender...</content>
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    <title>o que acontece com o coração?</title>
    <published>2007-10-04T20:49:10Z</published>
    <updated>2007-10-04T20:49:10Z</updated>
    <lj:music>I'm sick b'coz luv u - lynch.</lj:music>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000s7e6/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000s7e6/s320x240" width="320" height="220" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando mais uma vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;distorcemos o caminho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o errado parece certo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a opção escolhida causa dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e assim, espero meu julgamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;caminhando lentamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pelo precipício da loucura</content>
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    <title>Sumiu na linha do horizonte</title>
    <published>2007-09-05T23:22:55Z</published>
    <updated>2007-09-05T23:22:55Z</updated>
    <lj:music>Grégory Lemarchal ~ Même Si</lj:music>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000r83q/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000r83q/s320x240" width="240" height="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, parece estar aqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que sumiu, não sei aonde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda brilha, pela janela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brilha teu rosto, tua alma fluoresce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas meu choro ocupa o posto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do seu sol dentro de mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, como eu te queria</content>
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    <title>miyaishiteru @ 2007-08-14T20:07:00</title>
    <published>2007-08-14T23:16:19Z</published>
    <updated>2007-08-14T23:16:19Z</updated>
    <lj:music>Rei Leão - Somos Um</lj:music>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000q5qt/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000q5qt/s320x240" width="169" height="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, sem vida,&lt;br /&gt;apenas a ausência,&lt;br /&gt;sofrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez um dia,&lt;br /&gt;renasça a essência,&lt;br /&gt;querida.</content>
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    <title>21/07/2007</title>
    <published>2007-07-22T16:04:50Z</published>
    <updated>2007-07-22T16:04:50Z</updated>
    <lj:music>deadman - this day this rain</lj:music>
    <content type="html">Eu sempre soube que nada que eu estava buscando seria encontrado isoladamente. Não há como achar "felicidade" sem antes sofrer um pouco... Não há como encontrar "amor", sem antes odiar... odiar estar só, odiar não poder ver o pôr-do-sol acompanhado... E como se deparar com a apatia sem nunca ter sentido alegria! Como achar um tesouro, sem antes cavar um pouco de areia? O que faz ser tão exaustiva a busca pelo que nos complete é a surpresa de se deixar sair do eixo por distrações; tais quais fazem a caminhada parecer um sacrifício sem fim, mas é em meio às dificuldades encontradas em cada queda, cada passo mancado, que nós desfrutamos da forma mais sólida a vida que nos foi oferecida.</content>
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    <title>...?</title>
    <published>2007-07-20T16:12:58Z</published>
    <updated>2007-07-20T16:15:05Z</updated>
    <lj:music>The Pillows - Crazy Sunshine</lj:music>
    <content type="html">- O diretor me ligou hoje. Disse que você não foi à aula a semana inteira. - A voz de mamãe ecoou indiferente pelo nosso pequeno apartamento. - Eu lhe disse que você sai todos os dias para ir assistir aulas. Sinceramente, Peter, isso é um incomodo.&lt;br /&gt;Acho que ela continuou falando sobre minhas faltas e como odiava ter que atender ao telefone e que meu diretor era antipático e blábláblá. Bem, ela tem razão, em partes... já que não é bem a minha mãe. Não sei onde minha mãe de verdade está, já que ela me deixou com sua irmã antes que eu completasse um ano de vida. Bom, tanto faz. Disseram-me que ela era prostituta, logo, as chances de saber quem é meu pai são relativamente nulas. Não ligo. Minha tia é uma boa mulher, me dá abrigo, comida e lava minhas roupas. Não tem marido, filhos e, graças a Deus, nem gatos. É aposentada e essas coisas. Odeia tecnologia, odeia animais, odeia televisão. Gosta de livros, inclusive, tem muitos. E é em sua biblioteca onde eu passei boa parte dos meus 17 anos. &lt;br /&gt;	- O que tem pro jantar? – perguntei displicentemente.&lt;br /&gt;	- Vá ver na cozinha. – não podia esperar resposta mais agradável vindo da senhora, “mamãe”.&lt;br /&gt;	Arrastando-me lentamente, jogo a mochila na porta do quarto e vou à cozinha. Não sinto fome, acho que nem vou comer. Só vou revirar um pouco o prato. Continuo lembrando do que Jean me disse. Matei aula hoje, novamente, e fui com meu melhor amigo, Jean, à praça próxima à estação. Ambos gostamos bastante de lá. É arejado e pouco movimentado, um belíssimo lugar. Normalmente falamos sobre desenhos, livros e filmes... mas hoje Jean mencionou um assunto pouco explorado por nós dois: a vida. Passamos horas trocando idéias sobre o seu surgimento, a evolução, o tempo em que vivemos, as melhores formas possíveis de se aproveitá-la... Até que chegamos à morte, já que, quando uma começa, a outra, instantaneamente, termina. Levantamos inúmeras hipóteses em relação a isso, imaginamos se seriam essas duas incógnitas, inimigas desde a era da Criação. Até que Greg chegou. Sempre que Greg chega, as palavras me fogem da boca, os pensamentos se esvaem e só vejo seus olhos castanhos sorrindo para mim, refletindo o sol por todos os lados, tornando o verde das plantas ainda mais verde e o azul do céu ainda mais azul... Greg faz com que o sangue em minhas veias corra por meus vasos com uma velocidade incrível! É como se ele me controlasse com um joystick e fizesse meu coração dar saltos mortais quando ele se aproxima de mim com seu perfume francês caro. Suspeito que ele carregue um pequeno bonequinho de voodoo meu no bolso de suas calças jeans.&lt;br /&gt;	Quando Greg sentou-se na grama junto a Jean e eu na praça hoje, continuamos o assunto, e ele se mostrou um grande criador de teorias, assim como meu amigo e eu. Permaneci calado. Tenho medo de que fale alguma bobagem em sua presença e acabe dando bandeira sobre meus sentimentos. Ouvi tudo que ele disse atentamente. Greg é inteligente e sabe discutir esses assuntos, acha fascinante! Seus olhos brilhavam enquanto ele falava sobre experimentos científicos do século XVI... Acho que eu devia ir para a faculdade de vez em quando, aprender algo que possa ser discutido em nossas mini-reuniões de amigos e ter uma opinião e um ponto de vista considerável. Aposto que Greg me vê como um bobalhão retardado que só sabe balançar a cabeça... Ah, mas eu não consigo! Perto dele, eu travo completamente... e nas nossas despedidas, tento reter ao máximo as lembranças boas, mas não consigo de deixar de pensar que ele não vai estar mais do meu lado, que a sua presença vai se esvair de perto de mim... que aquele que amo desde os tempos de escola vai sair silencioso em direção a um horizonte sem fim fora do alcance de meus braços, fora de meu controle, sem a supervisão de meus olhos severos, sem minhas censuras... Tenho medo de perdê-lo sem nunca ter podido tê-lo em meus braços, sentir o calor de seu corpo... E de fato, não tenho vergonha de ser e parecer gay, ou qualquer outra coisa que você pense. Greg também é, tenho certeza disso, até Jean é gay. E todos nós somos amigos de escola... bom, estudávamos em uma escola interna só para garotos, digamos que já aprontamos um pouquinho aqui e ali. Mesmo assim, fico inseguro, Greg é tão gostoso! Chama atenção por onde passa. Vejo aquelas malditas jogarem olhares sedutores e estufarem seus bustos quando ele passa... Obviamente ele não dá atenção, mas vez ou outra está abraçado com uma qualquer, só para seus pais não desconfiarem. Seu pai é militar e sua mãe é cardíaca. Bom, o pai de Greg queria que ele fosse piloto daquelas malditas maquininhas pequenas que fazem barulhinho... ah, enfim... sua sorte é ter pavor de altura, logo, essa carreira foi descartada. Greg gosta de estar em contato com a natureza, por isso, faz Geologia, enquanto Jean e eu fazemos Psicologia. Ainda não me encontrei nesse curso, por isso passo tanto tempo fora dele. Jean só “faz” para agradar seus pais, que têm um consultório próprio e são altamente requisitados pelos burgueses problemáticos. Patéticos. Esses ricos metidos a besta, claro.&lt;br /&gt;	Agora que percebi que passam das três da manhã. O céu está limpo lá fora, não sinto sono e uma brisa suave entra pela janela. É envolvente esse ar noturno, é ele que embala as crianças pequenas, afagando-lhes o medo do Monstro do Armário ou do Pé Grande. É ele que seduz os amantes, dando-lhes fôlego e acalmando suas carícias. É esse mesmo ar noturno que eleva meus pensamentos, enchendo meu ser de enigmáticas indagações... Vejo algumas estrelas apagadas na imensidão negra que cobre todo o mundo e todo o universo. E, de repente, eis que surge um sinal, uma estrela cadente. Acho que estou com sorte.</content>
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    <title>Odeio o mundo</title>
    <published>2007-06-21T22:46:37Z</published>
    <updated>2007-06-21T22:51:20Z</updated>
    <lj:music>SCISSOR - none</lj:music>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000pbgq/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000pbgq/s320x240" width="288" height="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas tantas são as coisas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que acontecem todos os dias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não quero largar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;essa minha falsa alegria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de insistir em continuar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;viva...</content>
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    <title>Ah,</title>
    <published>2007-06-11T22:25:26Z</published>
    <updated>2007-06-11T22:25:26Z</updated>
    <lj:music>Grégory Lemarchal ~ Même Si</lj:music>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000k4fe/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000k4fe/s320x240" width="320" height="213" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que vazia foi aquela noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que passei sozinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rezendo pra novamente te ter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;orando pra poder te ver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;implorando pra te tocar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;un jour tu appertenirá a moi~</content>
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    <title>você não cansa</title>
    <published>2007-06-03T20:54:42Z</published>
    <updated>2007-06-03T20:54:42Z</updated>
    <lj:music>aingdon boys school - NERVOUS BREAKDOWN</lj:music>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000hzq9/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000hzq9/s320x240" width="300" height="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de ver os dias passando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não fazer nada da vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quando ela te liga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diz aquelas mentiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só pra enganar a si mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e continuar sonhando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que tá tudo certo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que tá tudo bem</content>
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    <title>Am I indie?</title>
    <published>2007-06-02T21:22:46Z</published>
    <updated>2007-06-02T21:22:46Z</updated>
    <lj:music>aingdon boys school - NERVOUS BREAKDOWN</lj:music>
    <content type="html">&lt;center&gt;&lt;font face="arial"&gt;i am a mix taper!&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://home.iprimus.com.au/sparvin/mix.jpg"&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://home.iprimus.com.au/sparvin/indie.htm"&gt;&lt;br /&gt;How indie are you?&lt;/a&gt; test by &lt;a href="http://www.livejournal.com/users/ridethefader"&gt;ridethefader&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;You're really enthusiastic about the music that you like. You attempt to discover your new favourite &lt;br /&gt;band every week. You continually try to get your friends into the music you like, which annoys the fuck &lt;br /&gt;out of them, but you don't know it. At least you're not arrogant about it.&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/center&gt;</content>
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    <title>Ajourd'hui...</title>
    <published>2007-05-26T01:34:33Z</published>
    <updated>2007-05-26T01:34:33Z</updated>
    <lj:music>aingdon boys school - NERVOUS BREAKDOWN</lj:music>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000gwgw/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000gwgw/s320x240" width="320" height="232" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I wish you're fine :3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;happy bday, Clara-marida-san! x*</content>
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    <title>hey</title>
    <published>2007-05-19T18:36:17Z</published>
    <updated>2007-05-19T18:41:38Z</updated>
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    <lj:music>aingdon boys school - NERVOUS BREAKDOWN</lj:music>
    <content type="html">&lt;lj-embed id="3" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...i'm calling~</content>
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    <title>the death...</title>
    <published>2007-05-11T23:28:04Z</published>
    <updated>2007-05-12T12:59:26Z</updated>
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    <lj:music>I'm sick b'coz luv u - lynch.</lj:music>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000f76d/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000f76d/s320x240" width="320" height="208" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..of Socrates (Σωκράτηϛ)</content>
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    <title>miyaishiteru @ 2007-05-06T14:14:00</title>
    <published>2007-05-06T17:55:09Z</published>
    <updated>2007-05-06T17:55:09Z</updated>
    <lj:music>abingdon boys school - Fre@k $hoW</lj:music>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000e72c/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000e72c/s320x240" width="320" height="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mis s yo u, br o</content>
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    <title>miyaishiteru @ 2007-05-01T11:22:00</title>
    <published>2007-05-01T14:34:23Z</published>
    <updated>2007-05-01T14:34:23Z</updated>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000dbat/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000dbat/s320x240" width="320" height="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*baka x3*</content>
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    <title>miyaishiteru @ 2007-03-25T14:36:00</title>
    <published>2007-03-25T17:45:38Z</published>
    <updated>2007-03-25T17:45:38Z</updated>
    <content type="html">&lt;a href="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000ccsk/"&gt;&lt;img src="http://pics.livejournal.com/miyaishiteru/pic/0000ccsk/s320x240" width="320" height="199" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Luar descobriu que amor tinha bastante desencontro e que na vida era difícil demais fazer amor num mesmo lugar. Foi então que decidiu amar pro resto da vida o horizonte e começou outra vez a caminhar. Amando o horizonte, ele sempre ia estar no caminho dele e já sabia que ia chegar até lá."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARINHO, Jorgue Miguel. Dengos e Carrancas de um Pasto, FTD</content>
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    <title>VENHA VER O PÔR DO SOL</title>
    <published>2007-03-22T21:14:27Z</published>
    <updated>2007-03-22T21:14:27Z</updated>
    <content type="html">ELA SUBIU sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro, algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil era a única nota viva na quietude da tarde.&lt;br /&gt;Ele a esperava encostado a uma árvore. Esguio e magro, metido num largo blusão azul-marinho, cabelos crescidos e desalinhados, tinham um jeito jovial de estudante.&lt;br /&gt;- Minha querida Raquel.&lt;br /&gt;Ela encarou-o, séria. E olhou para os próprios sapatos.&lt;br /&gt;- Vejam que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do taxi lá longe, jamais ele chegaria aqui em cima&lt;br /&gt;Ele sorriu entre malicioso e ingênuo.&lt;br /&gt;- Jamais, não é? Pensei que viesse vestida esportivamente e agora me aparece nessa elegância...Quando você andava comigo, usava uns sapatões de sete-léguas, lembra?&lt;br /&gt;- Foi para falar sobre isso que você me fez subir até aqui? - perguntou ela, guardando as luvas na bolsa. Tirou um cigarro. - Hem?!&lt;br /&gt;- Ah, Raquel... - e ele tomou-a pelo braço rindo.&lt;br /&gt;- Você está uma coisa de linda. E fuma agora uns cigarrinhos pilantras, azul e dourado...Juro que eu tinha que ver uma vez toda essa beleza, sentir esse perfume. Então fiz mal? &lt;br /&gt;- Podia ter escolhido um outro lugar, não? – Abrandara a voz – E que é isso aí? Um cemitério?&lt;br /&gt;Ele voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro, carcomido pela ferrugem.&lt;br /&gt;- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo – acrescentou, lançando um olhar às crianças rodando na sua ciranda. Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro. Sorriu. - Ricardo e suas idéias. E agora? Qual é o programa?&lt;br /&gt;Brandamente ele a tomou pela cintura.&lt;br /&gt;- Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr do sol mais lindo do mundo.&lt;br /&gt;Perplexa, ela encarou-o um instante. E vergou a cabeça para trás numa risada.&lt;br /&gt;- Ver o pôr do sol!...Ah, meu Deus...Fabuloso, fabuloso!...Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longe para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma! E para quê? Para ver o pôr do sol num cemitério...&lt;br /&gt;Ele riu também, afetando encabulamento como um menino pilhado em falta.&lt;br /&gt;- Raquel minha querida, não faça assim comigo. Você sabe que eu gostaria era de te levar ao meu apartamento, mas fiquei mais pobre ainda, como se isso fosse possível. Moro agora numa pensão horrenda, a dona é uma Medusa que vive espiando pelo buraco da fechadura...&lt;br /&gt;- E você acha que eu iria?&lt;br /&gt;- Não se zangue, sei que não iria, você está sendo fidelíssima. Então pensei, se pudéssemos conversar um instante numa rua afastada...- disse ele, aproximando-se mais. Acariciou-lhe o braço com as pontas dos dedos. Ficou sério. E aos poucos, inúmeras rugazinhas foram se formando em redor dos seus olhos ligeiramente apertados. Os leques de rugas se aprofundaram numa expressão astuta. Não era nesse instante tão jovem como aparentava. Mas logo sorriu e a rede de rugas desapareceu sem deixar vestígio. Voltou-lhe novamente o ar inexperiente e meio desatento –Você fez bem em vir.&lt;br /&gt;- Quer dizer que o programa... E não podíamos tomar alguma coisa num bar?&lt;br /&gt;- Estou sem dinheiro, meu anjo, vê se entende.&lt;br /&gt;- Mas eu pago.&lt;br /&gt;- Com o dinheiro dele? Prefiro beber formicida. Escolhi este passeio porque é de graça e muito decente, não pode haver passeio mais decente, não concorda comigo? Até romântico.&lt;br /&gt;Ela olhou em redor. Puxou o braço que ele apertava.&lt;br /&gt;- Foi um risco enorme Ricardo. Ele é ciumentíssimo. Está farto de saber que tive meus casos. Se nos pilha juntos, então sim, quero ver se alguma das suas fabulosas idéias vai me consertar a vida.&lt;br /&gt;- Mas me lembrei deste lugar justamente porque não quero que você se arrisque, meu anjo. Não tem lugar mais discreto do que um cemitério abandonado, veja, completamente abandonado – prosseguiu ele, abrindo o portão. Os velhos gonzos gemeram. – Jamais seu amigo ou um amigo do seu amigo saberá que estivemos aqui.&lt;br /&gt;- É um risco enorme, já disse . Não insista nessas brincadeiras, por favor. E se vem um enterro? Não suporto enterros.&lt;br /&gt;- Mas enterro de quem? Raquel, Raquel, quantas vezes preciso repetir a mesma coisa?! Há séculos ninguém mais é enterrado aqui, acho que nem os ossos sobraram, que bobagem. Vem comigo, pode me dar o braço, não tenha medo...&lt;br /&gt;O mato rasteiro dominava tudo. E, não satisfeito de ter se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrando-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com a sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios da morte. Foram andando vagarosamente pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos medalhões de retratos esmaltados.&lt;br /&gt;- É imenso, hem? E tão miserável, nunca vi um cemitério mais miserável, é deprimente – exclamou ela atirando a ponta do cigarro na direção de um anjinho de cabeça decepada.- Vamos embora, Ricardo, chega.&lt;br /&gt;- Ah, Raquel, olha um pouco para esta tarde! Deprimente por quê? Não sei onde foi que eu li, a beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da tarde, está no crepúsculo, nesse meio-tom, nessa ambigüidade. Estou lhe dando um crepúsculo numa bandeja e você se queixa.&lt;br /&gt;- Não gosto de cemitério, já disse. E ainda mais cemitério pobre.&lt;br /&gt;Delicadamente ele beijou-lhe a mão.&lt;br /&gt;- Você prometeu dar um fim de tarde a este seu escravo.&lt;br /&gt;- É, mas fiz mal. Pode ser muito engraçado, mas não quero me arriscar mais.&lt;br /&gt;- Ele é tão rico assim?&lt;br /&gt;- Riquíssimo. Vai me levar agora numa viagem fabulosa até o Oriente. Já ouviu falar no Oriente? Vamos até o Oriente, meu caro...&lt;br /&gt;Ele apanhou um pedregulho e fechou-o na mão. A pequenina rede de rugas voltou a se estender em redor dos seus olhos. A fisionomia, tão aberta e lisa, repentinamente escureceu, envelhecida. Mas logo o sorriso reapareceu e as rugazinhas sumiram.&lt;br /&gt;- Eu também te levei um dia para passear de barco, lembra?&lt;br /&gt;Recostando a cabeça no ombro do homem, ela retardou o passo.&lt;br /&gt;- Sabe Ricardo, acho que você é mesmo tantã...Mas, apesar de tudo, tenho às vezes saudade daquele tempo. Que ano aquele! Palavra que, quando penso, não entendo até hoje como agüentei tanto, imagine um ano.&lt;br /&gt;- É que você tinha lido A dama das Camélias, ficou assim toda frágil, toda sentimental. E agora? Que romance você está lendo agora. Hem?&lt;br /&gt;- Nenhum - respondeu ela, franzindo os lábios. Deteve-se para ler a inscrição de uma laje despedaçada: - A minha querida esposa, eternas saudades - leu em voz baixa. Fez um muxoxo.- Pois sim. Durou pouco essa eternidade.&lt;br /&gt;Ele atirou o pedregulho num canteiro ressequido.&lt;br /&gt;Mas é esse abandono na morte que faz o encanto disto. Não se encontra mais a menor intervenção dos vivos, a estúpida intervenção dos vivos. Veja- disse, apontando uma sepultura fendida, a erva daninha brotando insólita de dentro da fenda -, o musgo já cobriu o nome na pedra. Por cima do musgo, ainda virão as raízes, depois as folhas...Esta a morte perfeita, nem lembrança, nem saudade, nem o nome sequer. Nem isso.&lt;br /&gt;Ela aconchegou-se mais a ele. Bocejou.&lt;br /&gt;- Está bem, mas agora vamos embora que já me diverti muito, faz tempo que não me divirto tanto, só mesmo um cara como você podia me fazer divertir assim – Deu-lhe um rápido beijo na face. - Chega Ricardo, quero ir embora.&lt;br /&gt;- Mais alguns passos...&lt;br /&gt;- Mas este cemitério não acaba mais, já andamos quilômetros! – Olhou para atrás. – Nunca andei tanto, Ricardo, vou ficar exausta.&lt;br /&gt;- A boa vida te deixou preguiçosa. Que feio – lamentou ele, impelindo-a para frente. – Dobrando esta alameda, fica o jazigo da minha gente, é de lá que se vê o pôr do sol. – E, tomando-a pela cintura: - Sabe, Raquel, andei muitas vezes por aqui de mãos dadas com minha prima. Tínhamos então doze anos. Todos os domingos minha mãe vinha trazer flores e arrumar nossa capelinha onde já estava enterrado meu pai. Eu e minha priminha vínhamos com ela e ficávamos por aí, de mãos dadas, fazendo tantos planos. Agora as duas estão mortas.&lt;br /&gt;- Sua prima também?&lt;br /&gt;- Também. Morreu quando completou quinze anos. Não era propriamente bonita, mas tinha uns olhos...Eram assim verdes como os seus, parecidos com os seus. Extraordinário, Raquel, extraordinário como vocês duas...Penso agora que toda a beleza dela residia apenas nos olhos, assim meio oblíquos, como os seus.&lt;br /&gt;- Vocês se amaram?&lt;br /&gt;- Ela me amou. Foi a única criatura que...- Fez um gesto. – Enfim não tem importância.&lt;br /&gt;Raquel tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o &lt;br /&gt;- Eu gostei de você, Ricardo.&lt;br /&gt;- E eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença?&lt;br /&gt;Um pássaro rompeu o cipreste e soltou um grito. Ela estremeceu.&lt;br /&gt;- Esfriou, não? Vamos embora.&lt;br /&gt;- Já chegamos, meu anjo. Aqui estão meus mortos.&lt;br /&gt;Pararam diante de uma capelinha coberta de alto a baixo por uma trepadeira selvagem, que a envolvia num furioso abraço de cipós e folhas. A estreita porta rangeu quando ele a abriu de par em par. A luz invadiu um cubículo de paredes enegrecidas, cheias de estrias de antigas goteiras. No centro do cubículo, um altar meio desmantelado, coberto por uma toalha que adquirira a cor do tempo. Dois vasos de desbotada opalina ladeavam um tosco crucifixo de madeira. Entre os braços da cruz, uma aranha tecera dois triângulos de teias já rompidas, pendendo como farrapos de um manto que alguém colocara sobre os ombro do Cristo. Na parede lateral, à direita da porta, uma portinhola de ferro dando acesso para uma escada de pedra, descendo em caracol para a catacumba.&lt;br /&gt;Ela entrou na ponta dos pés, evitando roçar mesmo de leve naqueles restos da capelinha.&lt;br /&gt;- Que triste é isto, Ricardo. Nunca mais você esteve aqui?&lt;br /&gt;Ele tocou na face da imagem recoberta de poeira. Sorriu melancólico.&lt;br /&gt;- Sei que você gostaria de encontrar tudo limpinho, flores nos vasos, velas, sinais da minha dedicação, certo?&lt;br /&gt;- Mas já disse que o que eu mais amo neste cemitério é precisamente esse abandono, esta solidão. As pontes com o outro mundo foram cortadas e aqui a morte se isolou total. Absoluta.&lt;br /&gt;Ela adiantou-se e espiou através das enferrujadas barras de ferro da portinhola. Na semi-obscuridade do subsolo, os gavetões se estendiam ao longo das quatro paredes que formavam um estreito retângulo cinzento.&lt;br /&gt;- E lá embaixo? &lt;br /&gt;- Pois lá estão as gavetas. E, nas gavetas, minhas raízes. Pó, meu anjo, pó- murmurou ele. Abriu a portinhola e desceu a escada. Aproximou-se de uma gaveta no centro da parede, segurando firme na alça de bronze, como se fosse puxá-la. – A cômoda de pedra. Não é grandiosa?&lt;br /&gt;Detendo-se no topo da escada, ela inclinou-se mais para ver melhor.&lt;br /&gt;- Todas estas gavetas estão cheias?&lt;br /&gt;- Cheias?...- Sorriu.- Só as que tem o retrato e a inscrição, está vendo? Nesta está o retrato da minha mãe, aqui ficou minha mãe- prosseguiu ele, tocando com as pontas dos dedos num medalhão esmaltado, embutido no centro da gaveta.&lt;br /&gt;Ela cruzou os braços. Falou baixinho, um ligeiro tremor na voz.&lt;br /&gt;- Vamos, Ricardo, vamos.&lt;br /&gt;- Você está com medo?&lt;br /&gt;- Claro que não, estou é com frio. Suba e vamos embora, estou com frio!&lt;br /&gt;Ele não respondeu. Adiantara-se até um dos gavetões na parede oposta e acendeu um fósforo. Inclinou-se para o medalhão frouxamente iluminado:&lt;br /&gt;- A priminha Maria Emília. Lembro-me até do dia em que tirou esse retrato. Foi umas duas semanas antes de morrer... Prendeu os cabelos com uma fita azul e vejo-a se exibir, estou bonita? Estou bonita?...- Falava agora consigo mesmo, doce e gravemente.- Não, não é que fosse bonita, mas os olhos...Venha ver, Raquel, é impressionante como tinha olhos iguais aos seus.&lt;br /&gt;Ela desceu a escada, encolhendo-se para não esbarrar em nada.&lt;br /&gt;- Que frio que faz aqui. E que escuro, não estou enxergando...&lt;br /&gt;Acendendo outro fósforo, ele ofereceu-o à companheira.&lt;br /&gt;- Pegue, dá para ver muito bem...- Afastou-se para o lado.- Repare nos olhos.&lt;br /&gt;- Mas estão tão desbotados, mal se vê que é uma moça...- Antes da chama se apagar, aproximou-a da inscrição feita na pedra. Leu em voz alta, lentamente.- Maria Emília, nascida em vinte de maio de mil oitocentos e falecida...- Deixou cair o palito e ficou um instante imóvel – Mas esta não podia ser sua namorada, morreu há mais de cem anos! Seu menti...&lt;br /&gt;Um baque metálico decepou-lhe a palavra pelo meio. Olhou em redor. A peça estava deserta. Voltou o olhar para a escada. No topo, Ricardo a observava por detrás da portinhola fechada. Tinha seu sorriso meio inocente, meio malicioso.&lt;br /&gt;- Isto nunca foi o jazigo da sua família, seu mentiroso? Brincadeira mais cretina! – exclamou ela, subindo rapidamente a escada. – Não tem graça nenhuma, ouviu?&lt;br /&gt;Ele esperou que ela chegasse quase a tocar o trinco da portinhola de ferro. Então deu uma volta à chave, arrancou-a da fechadura e saltou para trás.&lt;br /&gt;- Ricardo, abre isto imediatamente! Vamos, imediatamente! – ordenou, torcendo o trinco.- Detesto esse tipo de brincadeira, você sabe disso. Seu idiota! É no que dá seguir a cabeça de um idiota desses. Brincadeira mais estúpida!&lt;br /&gt;- Uma réstia de sol vai entrar pela frincha da porta, tem uma frincha na porta. Depois, vai se afastando devagarinho, bem devagarinho. Você terá o pôr do sol mais belo do mundo.&lt;br /&gt;Ela sacudia a portinhola.&lt;br /&gt;- Ricardo, chega, já disse! Chega! Abre imediatamente, imediatamente!- Sacudiu a portinhola com mais força ainda, agarrou-se a ela, dependurando-se por entre as grades. Ficou ofegante, os olhos cheios de lágrimas. Ensaiou um sorriso. - Ouça, meu bem, foi engraçadíssimo, mas agora preciso ir mesmo, vamos, abra...&lt;br /&gt;Ele já não sorria. Estava sério, os olhos diminuídos. Em redor deles, reapareceram as rugazinhas abertas em leque.&lt;br /&gt;- Boa noite, Raquel.&lt;br /&gt;- Chega, Ricardo! Você vai me pagar!... - gritou ela, estendendo os braços por entre as grades, tentando agarrá-lo.- Cretino! Me dá a chave desta porcaria, vamos!- exigiu, examinando a fechadura nova em folha. Examinou em seguida as grades cobertas por uma crosta de ferrugem. Imobilizou-se. Foi erguendo o olhar até a chave que ele balançava pela argola, como um pêndulo. Encarou-o, apertando contra a grade a face sem cor. Esbugalhou os olhos num espasmo e amoleceu o corpo. Foi escorregando.&lt;br /&gt;- Não, não...&lt;br /&gt;Voltado ainda para ela, ele chegara até a porta e abriu os braços. Foi puxando as duas folhas escancaradas.&lt;br /&gt;- Boa noite, meu anjo.&lt;br /&gt;Os lábios dela se pregavam um ao outro, como se entre eles houvesse cola. Os olhos rodavam pesadamente numa expressão embrutecida.&lt;br /&gt;- Não...&lt;br /&gt;Guardando a chave no bolso, ele retomou o caminho percorrido. No breve silêncio, o som dos pedregulhos se entrechocando úmidos sob seus sapatos. E, de repente, o grito medonho, inumano:&lt;br /&gt;- NÃO!&lt;br /&gt;Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado. Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria agora qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Lygia Fagundes Telles In:.Antes do Baile Verde</content>
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    <title>kiseki</title>
    <published>2007-02-19T18:28:29Z</published>
    <updated>2007-02-19T18:28:29Z</updated>
    <lj:music>Keep Holdin' On - Avril Lavigne</lj:music>
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    <title>oneshot or no? :B</title>
    <published>2007-01-13T19:38:28Z</published>
    <updated>2007-01-13T19:38:28Z</updated>
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    <lj:music>Depeche Mode - JUST CAN'T GET ENOUGH</lj:music>
    <content type="html">- 147, 148, 149, 150... 151, 152, 153, 154.. ah, porra! Eu já tinha contado aquela - aponto para o céu mesmo sabendo que Colin não está nem aí.&lt;br /&gt;Ele abre um dos olhos e ergue a sobrancelha, debochando de mim. Jogo-me na grama fria ao seu lado.&lt;br /&gt;- Certo, o que vamos fazer? - pergunto com mais espectativa do que desejava.&lt;br /&gt;- Vamos ficar aqui até o sol raiar - ele responde displicentemente.&lt;br /&gt;Para Colin é assim. Se não precisar fazer nada, nada ele fará.&lt;br /&gt;- Você não tem vontade de ira a algum lugar ou fazer alguma coisa? Olha, Colin... estamos de férias e tá um calor de matar aqui. Até a grama tá ressecada - arranco um punhado dela e jogo em cima de Colin, que, como sempre, me ignora.&lt;br /&gt;- Certo... - levanto-me com um pulo - vou para casa. Se correr ainda pego algum seriado bom na TV.&lt;br /&gt;Colin parece não estar ouvindo. Suspiro. Até hoje não entendo como consigo gostar dele. Colin é alto e magro, assim como eu. Porém seu rosto apresenta feições firmes e não é recheado de sardas, como o meu. E seus olhos... nossa, os olhos dele... bom, são cor de chocolate. Seus cabelos sedosos e negros junto com seu jeito calmo e desleichado sempre me chamaram a atenção. E agora estou aqui, amarrado nesse cara. Conto até 3, esperando alguma reação dele. Não sei o porquê de ainda fazer isso... ele nunca faz nada. Viro-me lentamente para ir embora quando finalmente Colin reage. Me segura pela calça e me puxa. Creio que meu erro foi deixá-lo me fazer de gato e sapato.&lt;br /&gt;- Você não tem hora para voltar.&lt;br /&gt;É claro que ele sabe disso, afinal... não tenho para quem voltar.&lt;br /&gt;- Na verdade... - tento arranjar alguma desculpa para fugir de suas garras - eu preciso fazer a redação da escola e eu...&lt;br /&gt;- Você fala demais, Steve... mas...&lt;br /&gt;- Sim? - respondo como se fosse treinado para isso. Até hoje acho que ele não sabe que meu nome é Derek.&lt;br /&gt;- Eu gosto de você. E sabe por quê?&lt;br /&gt;- Hm... não - respondo corado e fico ainda mais vermelho quando ele se levanta e olha nos meus olhos.&lt;br /&gt;- Porque você é meu brinquedinho preferido. E eu odeio ficar sem ele por perto... - ele diz isso, sedutor, me jogando na grama.&lt;br /&gt;Ah, Colin... a verdade é que eu amo quando você me usa. Essa nossa amizade estranha foi a base de tudo para mim. Colin, como eu te amo...&lt;br /&gt;E enquanto deliro, Colin me invade... ele não se importa eu como eu grito de dor, ele só quer se saciar. Mas logo me acostumo ao seu ritmo e nossa terceira noite de férias de verão se enche de prazer e suor. Colin termina seu serviço.&lt;br /&gt;- Você sabe como me acalmar - ele me diz com um sorriso leve.&lt;br /&gt;- É isso que os brinquedos fazem - digo, fechando meu jeans e me colocando de pé novamente - divertem, intertem, tranquilizam...&lt;br /&gt;Mas Colin nunca demonstra estar alterado. Para mim, ele sempre está manso e sossegado. Mas com determinada freqüência, ele entra em conflito consigo mesmo e precisa soltar os cachorros. Porém, faz isso do seu jeito. Um jeito que eu gosto. E como gosto.</content>
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    <title>I'm a Both?!</title>
    <published>2007-01-09T17:57:22Z</published>
    <updated>2007-01-09T18:03:07Z</updated>
    <lj:music>GRAM - Você pode ir na Janela</lj:music>
    <content type="html">&lt;center&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://ayanami.netfirms.com/kana/both1.jpg" width="250" height="202" border="0"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Are you a &lt;a href="http://kokoro.deep-ice.com/semeuke/" target="_blank"&gt;Seme or Uke&lt;/a&gt;?&lt;br /&gt;&lt;/center&gt;</content>
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